quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Análise do poema "Com licença poética", de Adélia Prado.




Análise do poema "Com licença poética", de Adélia Prado.


Adélia Prado é uma escritora mineira, de Divinópolis, uma pacata cidade do interior de Minas Gerais, que busca retratar  por meio de  seus textos,  o cotidiano com perplexidade e encanto, relacionados sempre a sua religiosidade e  permeados pelo aspecto lúdico característicos da poetisa.
Na literatura brasileira, a poetisa representou a revalorização do feminismo e da mulher como ser pensante, levando em conta que Adélia  incorpora os papéis de  intelectual e mãe, esposa e dona-de-casa.

Em relação ao texto em questão, entende-se pelo termo "licença poética" certa liberdade da qual o autor do poema dispõe para escrever, não se baseando tanto às questões estético-formais.

Este poema parodia o famoso "Poema de sete faces", de Carlos Drummond de Andrade. Porém, ao contrário do narrador masculino do poema de Drummond, que nasceu para ser "gauche" (ou "coxo" como aparece no penúltimo verso do poema de Adélia), o narrador feminino em "Com licença poética" vem anunciado por um "anjo esbelto" e se define "desdobrável", ou seja, flexível e pronto para se adaptar e reinventar, não aceitando o destino marginal que lhe foi dado.

Embora ela aceite os "subterfúgios" que lhe cabem, tais como casar-se, ter filhos, ser dona de casa, o eu-lírico do poema declara cumprir sua sina de poeta, escrevendo aquilo que sente. Porém, confessa que não é fácil ser uma escritora, uma vez que a mulher é ainda uma "espécie envergonhada" e ela declara não possuir as habilidades poéticas de Manuel Bandeira (poeta aludido através do verso "vai carregar bandeira").

Ao contrário da imagem pessimista do narrador masculino do poema de Drummond, o feminino de Adélia é positivo e não encara a dor como amargura. Ela pode aceitar o seu papel de reprodutora, mas o parto não lhe causa dor. Assim, ao contrário de Drummond que vê o poeta como um ser torto e desajustado do mundo, Adélia cria a imagem de uma "mulher-poeta" forte e pronta para obter uma posição de destaque.

Adélia é considerada por alguns como a que encontrou o equilíbrio entre o feminino e o feminismo, movimentos cujos conflitos não aparecem em seus textos.



Rebeca Ribeiro





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